Wednesday, September 23, 2009

Existem demasiadas distribuições de Linux?

A existência de vários "sabores" de Linux é muitas vezes referida para justificar a baixa percentagem de desktops e portáteis que usam este sistema operativo. Segundo aqueles que defendem esta posição, se existisse apenas uma única distribuição de Linux, este sistema operativo ganharia mais força porque teria todos os programadores e investidores a "remar" na mesma direcção e o utilizador teria a escolha facilitada porque não haveria muito por onde escolher.

Mas será que é isso mesmo que acontece? Na minha opinião, não.

Vamos lá olhar para o mercado em concreto em vez de opinar em teoria: se olharmos para as distribuições de Linux que existem actualmente, percebemos, com alguma facilidade, que só meia dúzia delas é que têm real relevância a nível da quantidade de utilizadores e de contribuições com projectos, código ou correcção de bugs (Debian/Ubuntu, Fedora, Suse e, num patamar um pouco mais abaixo, Mandriva); as restantes não passam de derivados (com poucas diferenças do original) ou de distros construídas de raiz mas que têm pouca influência dentro do mundo do pinguim e do software livre em geral. Assim, não se coloca o problema de existir uma grande dispersão de esforços, porque eles concentram-se, essencialmente, em poucas distribuições.

À pergunta "Não seria ainda melhor se existisse apenas uma grande distribuição de Linux?" eu respondo novamente que não porque, como é facilmente verificável, cada uma delas tem características únicas que seriam inconciliáveis numa só distro. Por exemplo, o Ubuntu e Fedora fazem grandes apostas no ambiente gráfico GNOME e em todos os projectos que andam à sua volta, enquanto que SUSE e Mandriva apostam essencialmente no ambiente gráfico KDE e no toolkit QT; enquanto o Ubuntu e Debian apostam no pacote de software .deb, as distros Fedora, SUSE e Mandriva apostam no .rpm; enquanto que o Ubuntu, Fedora e Mandriva apostam em ciclos de desenvolvimento de seis meses, a distribuição openSUSE opta, por motivos de estabilidade, por ciclos de 8 meses; enquanto que a distro Debian prefere utilizar software mais estável (ou seja, que é um pouco mais antigo e por isso, está mais testado), as restantes distribuições optam por incluir o software mais recente (preferem ter novas funcionalidades, mesmo que isso sacrifique um pouca a estabilidade).

Em jeito de conclusão, reafirmo a resposta que dei no inicio do artigo: Não existem demasiadas distribuições de Linux; existe sim a quantidade necessária para preencher as várias necessidades do mercado. A maioria das pessoas usa uma das principais distros porque são estas que têm mais utilizadores e que estão no centro do desenvolvimento do mundo Linux; as restantes pessoas podem optar por usar qualquer outra distribuição que tenha as características que se adaptam ao seu caso concreto (como bons exemplos posso referir os vários derivados do Ubuntu: edições religiosas, multimédia, extremamente leves para PCs antigos, com suporte exclusivo e melhorado para um determinado país/língua, etc).

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