Sunday, October 11, 2009

Praxes: integração ou estupidez?

Todos os anos (lectivos) o tema "praxes" surge na comunicação social (re)lançando o debate sobre a existência/limites desta tradição.

Mas afinal, o que são as praxes académicas? A Wikipédia dá uma ajuda e diz-nos que se trata do "conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica portuguesa". Até aqui, tudo bem. Em sentido estrito costuma-se chamar "praxe" às práticas de recepção ao caloiro que consistem, por norma, em jogos, tarefas e jantares que têm como objectivo integrar os novos alunos e dar-lhes a conhecer a vida académica.

Ora bem, isto até agora soa a uma bela melodia, mas o tema tem sido muito debatido por um motivo: os abusos. Há um limite claro entre a integração do caloiro (que inclui o tratamento de forma igual entre todos os caloiros -- porque nenhum deles é superior ao outro) e o abuso de uma pseudo-autoridade que leva a que determinados veteranos consigam libertar as suas frustrações num bando de miúdos assustados. São exactamente estes idiotas que conseguem estragar uma prática que tinha tudo para ser algo bom.

Para além dos problemas que acontecem durante algumas praxes (o mais comum é a humilhação), a má fama que esta tradição ganhou consegue atingir os que ainda nem entraram "na Universidade", levando a que algumas pessoas tenham pavor de entrar no mundo académico porque têm medo de sofrer as barbaridades de que tanto se fala.

Se me perguntarem "és contra as praxes?", eu digo não, mas defendo que o modelo actual de tolerância face a algumas barbaridades deve ser abolido. Eu sei, eu sei, nos últimos anos o controlo aumentou e mais gente foi responsabilizada pelos seus actos. Mas não é suficiente. Prova disso é que nalgumas Universidades, Faculdades ou cursos, continuam a surgir casos de praxes organizadas (sublinho a parte do "organizadas") que contêm todo o tipo de absurdos. E isso é intolerável.

Assim, reformulando a resposta à pergunta que levantei no parágrafo anterior, eu digo SIM às praxes que integram os caloiros e às praxes que aumentam o convívio e espírito de entreajuda entre os universitários. Eu digo NÃO às práticas absurdas e animalescas de alguns veteranos que tentam legitimá-las através da palavra mágica "tradição".

Não se esqueçam que não é por ser tradição que determinada prática deixa de ser incrivelmente estúpida.

Wednesday, September 23, 2009

Existem demasiadas distribuições de Linux?

A existência de vários "sabores" de Linux é muitas vezes referida para justificar a baixa percentagem de desktops e portáteis que usam este sistema operativo. Segundo aqueles que defendem esta posição, se existisse apenas uma única distribuição de Linux, este sistema operativo ganharia mais força porque teria todos os programadores e investidores a "remar" na mesma direcção e o utilizador teria a escolha facilitada porque não haveria muito por onde escolher.

Mas será que é isso mesmo que acontece? Na minha opinião, não.

Vamos lá olhar para o mercado em concreto em vez de opinar em teoria: se olharmos para as distribuições de Linux que existem actualmente, percebemos, com alguma facilidade, que só meia dúzia delas é que têm real relevância a nível da quantidade de utilizadores e de contribuições com projectos, código ou correcção de bugs (Debian/Ubuntu, Fedora, Suse e, num patamar um pouco mais abaixo, Mandriva); as restantes não passam de derivados (com poucas diferenças do original) ou de distros construídas de raiz mas que têm pouca influência dentro do mundo do pinguim e do software livre em geral. Assim, não se coloca o problema de existir uma grande dispersão de esforços, porque eles concentram-se, essencialmente, em poucas distribuições.

À pergunta "Não seria ainda melhor se existisse apenas uma grande distribuição de Linux?" eu respondo novamente que não porque, como é facilmente verificável, cada uma delas tem características únicas que seriam inconciliáveis numa só distro. Por exemplo, o Ubuntu e Fedora fazem grandes apostas no ambiente gráfico GNOME e em todos os projectos que andam à sua volta, enquanto que SUSE e Mandriva apostam essencialmente no ambiente gráfico KDE e no toolkit QT; enquanto o Ubuntu e Debian apostam no pacote de software .deb, as distros Fedora, SUSE e Mandriva apostam no .rpm; enquanto que o Ubuntu, Fedora e Mandriva apostam em ciclos de desenvolvimento de seis meses, a distribuição openSUSE opta, por motivos de estabilidade, por ciclos de 8 meses; enquanto que a distro Debian prefere utilizar software mais estável (ou seja, que é um pouco mais antigo e por isso, está mais testado), as restantes distribuições optam por incluir o software mais recente (preferem ter novas funcionalidades, mesmo que isso sacrifique um pouca a estabilidade).

Em jeito de conclusão, reafirmo a resposta que dei no inicio do artigo: Não existem demasiadas distribuições de Linux; existe sim a quantidade necessária para preencher as várias necessidades do mercado. A maioria das pessoas usa uma das principais distros porque são estas que têm mais utilizadores e que estão no centro do desenvolvimento do mundo Linux; as restantes pessoas podem optar por usar qualquer outra distribuição que tenha as características que se adaptam ao seu caso concreto (como bons exemplos posso referir os vários derivados do Ubuntu: edições religiosas, multimédia, extremamente leves para PCs antigos, com suporte exclusivo e melhorado para um determinado país/língua, etc).

Sunday, September 20, 2009

O Bloco de Esquerda e o Software Livre

O Bloco de Esquerda é, actualmente, um dos partidos portugueses que mais tem apoiado a implementação do software livre e de standards internacionais nos vários órgãos e serviços das pessoas colectivas públicas (Estado, Autarquias, Regiões Autónomas, etc). É uma atitude que me agrada e que devo confessar que tem todo o meu apoio, pelos mais variados motivos que tenho vindo a referir neste blog e nos posts que escrevi no Peopleware.

Mas uma coisa é apoiar em teoria e outra coisa é dar o exemplo; algo que o Bloco de Esquerda não faz: o site Esquerda.net, que é o portal de informações deste partido, usa o Adobe Flash Player (que é software proprietário) na subscrição da newsletter e no cabeçalho do site (não me refiro aos vídeos que "lá andam" porque, neste momento, é quase inevitável -- ou é pelo menos demasiado oneroso -- optar por usar esta tecnologia, para esse fim, devido à sua utilização pelos principais sites de vídeos). Assim, se eu quiser receber as notícias deste portal no meu email, só o poderei fazer se tiver o Flash instalado. Ora isso não facilita em nada a democratização do acesso às novas tecnologias e mais concretamente à Internet (que é algo que é "bandeira" do Bloco).

Se o BE quer cumprir o seu programa de governo, mais concretamente as páginas 93 e seguintes, faça o favor de começar por arrumar a própria casa e retirar o Flash Player do portal, nos sítios em que ele é desnecessário (ex: uma imagem .gif pode substituir a animação do cabeçalho). Vão ver que ficam com o portal mais leve e mais acessível para toda a gente (tal como o próprio BE deseja... em teoria).

"Ah e tal, tu és anti-Bloco de Esquerda e arranjaste uma desculpa idiota só para criticar". Não, não é este o caso. Apenas dediquei um post a este tema para alertar que, neste caso, o problema não são só os outros: nós próprios temos de rever os nossos hábitos informáticos e perceber que alguns deles estão de tal maneira enraizados que os maiores defensores da causa são os primeiros a ir contra ela, simplesmente porque "é normal usar Flash para tudo e mais alguma coisa".

Ok, eu admito que aproveitei este artigo para dar uma alfinetada no BE (mas das pequeninas). Foi mais forte do que eu. ;)

Monday, August 17, 2009

Portugal já tem Street View!

Extra, extra, extra! O Google Maps já disponibiliza a opção "Street View" em Portugal.

Andava eu no Google Maps à procura de uma morada de uma casa em Lisboa, para alugar, quando reparei que o boneco amarelo do Street View mexeu-se quando passei por lá o rato. A disponibilização desta funcionalidade tem de ser muito recente porque há alguma horas atrás tentei utiliza-la mas não funcionava.

Pelo que deu para perceber, o Street View ainda só está disponível em Lisboa e no Porto.

Querem uma prova? Então aqui têm a "foto" da faculdade mais "gira" do país: a Faculdade de Direito de Lisboa.

streetview faculdade direito

Thursday, March 26, 2009

Notificações do Ubuntu 9.04 em vídeo

Há vários anos (sim, anos!) que prometo a mim mesmo que vou começar a fazer screencasts para os blogs nos quais eu participo. Passou-se este tempo todo e nada. Eis que chegou o momento - o primeiro tem como objecto o notify-osd que é uma das principais novidades do Jaunty Jackalope.



Com a experiência, pode ser que surjam vídeos mais elaborados. :)

Thursday, March 19, 2009

Receber e-mails do Hotmail no Gmail

Então não é que a Microsoft decidiu dotar o Windows Live Hotmail com POP3?! Não meus amigos, não é dia 1 de Abril nem o mundo vai acabar amanhã; isto é mesmo verdade.

Primeira pergunta a fazer: - Quais os dados de acesso ao POP3 do Hotmail? - Via Lifehacker, podem ver a resposta no seguinte quadro:

POP server: pop3.live.com (Porta 995)
POP SSL required? Sim
Username: o.meu.email@hotmail.com
Password: a password do Hotmail


Segunda pergunta a fazer: - Como receber os emails do Hotmail automaticamente no meu Gmail? - É simples:
Com o Gmail aberto vamos clicar no menu "Settings" (Configurações), abrir o separador "Accounts" (Contas) e carregar no "Add a mail account you own" (Adicionar uma conta de e-mail que você possui). Agora, na janela que se abriu, vamos escrever o endereço da conta Hotmail e carregar no botão "Next Step".
Por fim, basta configurar os menus da mesma maneira que eu o fiz na imagem seguinte e carregar no botão "Add Account".

hotmail-no-gmail


Prático, simples e cultural. A partir de agora não há desculpas para mudar definitivamente para o Gmail porque todo e qualquer mensagem que caia na vossa conta Hotmail será enviado para a vossa conta no mail da Google. Agradeçam à Microsoft por vos facilitar a migração para o melhor e-mail da actualidade. ;)

Wednesday, March 11, 2009

Songbird 1.1.1 no Ubuntu

O meu music player de eleição chegou finalmente à versão final. Entre as várias novidades há que destacar:

  • Obtenção da capa do álbum (manualmente);

  • Watch folders, ou seja, sempre que a pasta com músicas for alterada, essa modificação irá reflectir-se na nossa biblioteca;

  • Melhoramentos no Gstreamer;

  • Melhor suporte ao protocolo "MTP Device";

  • Aumento de performance.


Quem quiser instala-lo no Ubuntu, pode sacar o pacote .deb aqui. As versões para Windows, Mac OS X e Linux (tarball) podem ser sacadas a partir do respectivo link.

Até agora só tenho a apontar-lhe o peso excessivo que continua a ter - o primeiro arranque é mesmo muito lento, pelo menos no meu Ubuntu. De resto, posso dizer que estou satisfeito com esta versão, sobretudo por passar a monitorizar as pastas de música; o que me evita andar a adicionar manualmente as músicas novas.