Em antecipação ao lançamento da versão final do Ubuntu 8.10 Intrepid Ibex, decidi fazer uma análise à versão RC actualizada até ao dia 29 de Outubro (ou seja, um dia antes do lançamento da versão final).
Em todas as análises que tenho feito até agora às várias versões do Ubuntu, acabo sempre por dizer que a última versão é a melhor de sempre deste sistema operativo. Será que a história se repete? Ou será que este Intrepid não tem capacidade para atingir os elevados patamares de qualidade impostos pelo 8.04 Hardy Heron?

Para começar, vamos fazer uma visita guiada por algumas das novidades desta nova versão:
Novo grafismo no particionador de disco, incluindo barras coloridas para distinguir as várias partições, tornando-se mais perceptível o espaço ocupado por cada uma delas.

Login automático: A partir de agora podemos definir durante a instalação se queremos que a nossa sessão se inicie automaticamente sem pedir o username e a password. Para que isso aconteça, basta seleccionar a opção "Log in automatically".

No painel superior do GNOME surge um novo applet que junta as funções do antigo alternador de utilizadores e do botão para suspender / desligar o PC. Ficou bonito e muito mais prático.

Uma das novidades que mais me deixou entusiasmado foi a possibilidade de colocar o Ubuntu numa Pen Drive, tornando-a assim num género de Live USB. Apesar de isso já se fazer com as versões anteriores do Ubuntu, com o Intrepid Ibex não é necessário recorrermos a "guias" para o fazermos: basta arranjar uma imagem .iso ou um CD com o Ubuntu lá dentro, colocar a Pen numa porta USB, abrir o programa "Create a USB startup disk" que se encontra no menu Sistema> Administração e seguir as instruções. De uma forma simples e prática, temos uma Pen com o Ubuntu instalado, pronto para ser utilizado como sistema operativo normal e com a capacidade de servir de instalador para o disco rígido de qualquer PC, como se de um Live CD se tratasse.

A versão 2.24 do GNOME traz uma novidade que há muito era desejada pelos amantes deste ambiente gráfico: a inclusão de separadores no Nautilus (gestor de ficheiros do GNOME). Assim, e à imagem daquilo que já acontece nos browsers actuais, podemos ter na mesma janela várias pastas abertas em separadores diferentes, o que facilita e muito a gestão da quantidade de janelas abertas que temos na barra de tarefas. O Nautilus passou também a ter um botão "eject" do seu lado esquerdo para podemos desconectar mais facilmente os discos amovíveis que estão ligados ao PC.

Cruft Remover é o nome de um novo programa do Intrepid Ibex que tem como função retirar os pacotes redundantes e de má qualidade que se encontram instalados no sistema, ou seja, ao fazermos esta lavagem ao Ubuntu, deixamos o sistema com uma menor probabilidade de ter conflitos de pacotes. Acho que este programa foi feito a pensar sobretudo nos dist-upgrade, porque nessa altura, os pacotes que não pertencem aos repositórios oficiais do Ubuntu podem fazer com que se quebre o sistema. No meu caso, ele detectou-me os pacotes do Medibuntu como "lixo", mas não embirrou com o Opera 9.61 que instalei dos repositórios do Opera. Assim, ainda estou para descobrir qual o critério que eles utilizam para classificar os pacotes como indesejáveis.

Outras das novidades que merecem ser referidas são:
- X.Org 7.4
- Linux kernel 2.6.27
- GNOME 2.24.1
- O GRUB passa a ter uma entrada de recuperação com o “último boot correcto”
- Samba 3.2
- Encrypted Private Directory
- Network Manager 0.7
- Totem BBC plugin - Trata-se de um plugin para o Totem que permite ver conteúdo multimédia da BBC
Pontos positivos e negativos do Intrepid Ibex:Pelo lado
positivo:
- Há uma clara evolução na quantidade e qualidade das funcionalidades novas. Basta olhar para o programa para criar uma Live USB e o de limpeza de pacotes, para nos apercebermos que o Intrepid decidiu apostar numa onda de inovação. É de aplaudir esta atitude.
- Apesar de não ter os dados concretos para os poder comparar, dá-me a sensação que o Intrepid Ibex é mais rápido a iniciar do que o Hardy Heron. Aumentos de performance deste género são sempre bem-vindos e nunca são demais.
- Fiquei feliz e ao mesmo tempo admirado por ver que o Ubuntu consegue detectar correctamente a placa de som do meu portátil Asus (coisa que não acontecia nas versões anteriores). Esta melhoria da compatibilidade com o som do meu PC não é exclusiva do Ubuntu, porque ela deve-se a uma actualização da versão do ALSA que podemos encontrar em mais distribuições de Linux (no Mandriva 2009 o som deste portátil também funcionou na perfeição).
Pelo lado
negativo encontrei alguma instabilidade e alguns bugs:
- O ajuste do brilho do ecrã quase que me levou à loucura, porque sempre que eu iniciava o Intrepid, ele metia o brilho no máximo apesar de eu o ter colocado perto do mínimo na sessão anterior através dos atalhos do teclado. A solução para este problema só apareceu quando eu me lembrei a ir ao menu Sistema> Preferências> Gestão de Energia e colocar o brilho no nível que eu queria através do botão que lá está. Ficou definitivamente resolvido.
- Quando inicio o PC através do Live CD, o Ubuntu não me consegue montar as duas partições NTFS que tenho no disco, nem mesmo uma simples Pen Drive em FAT32. Espero que seja um problema que só se encontre na RC e que a versão final não padeça deste bug.
- O novo Plugin do Totem para ver vídeos da BBC não está a funcionar. Não sei se é problema do programa ou se é o serviço que ainda não está disponível, o que é certo é que não o consegui testar por causa disso.

- Por fim, tenho de voltar a fazer a mesma critica que fiz em todas as análises anteriores ao Ubuntu: continua a não existir um gestor gráfico do GRUB. A sério meus amigos, já ontem era tarde! Todos as distribuições modernas de Linux trazem esse gestor, porque é que a Canonical insiste que os utilizadores do Ubuntu têm de continuar a recorrer à configuração manual de algo tão importante?! Enfim, parece-me que nem tão cedo vou ver este problema resolvido.
Conclusão:Colocando os prós e contras nos dois pratos da mesma balança, chego à conclusão que vale a pena passar da versão 8.04 para a 8.10. Este novo Ubuntu traz várias inovações, novas funcionalidades e uma mão cheia de programas actualizados nos repositórios. Parece-me um bocado instável e com alguns bugs, mas pode ser que eles sejam corrigidos nas primeiras actualizações após o lançamento da versão final. A função dos "não LTS" é dar grandes saltos qualitativos, mesmo que se tenha de comprometer um pouco da estabilidade. Assim sendo, podemos dizer que o Intrepid cumpriu e bem a sua missão.
Assim que saia a versão final do 8.10, eu farei um novo post com os links para o download do Ubuntu e dos seus derivados. O lançamento está por horas. :)