Mas afinal, o que são as praxes académicas? A Wikipédia dá uma ajuda e diz-nos que se trata do "conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica portuguesa". Até aqui, tudo bem. Em sentido estrito costuma-se chamar "praxe" às práticas de recepção ao caloiro que consistem, por norma, em jogos, tarefas e jantares que têm como objectivo integrar os novos alunos e dar-lhes a conhecer a vida académica.
Ora bem, isto até agora soa a uma bela melodia, mas o tema tem sido muito debatido por um motivo: os abusos. Há um limite claro entre a integração do caloiro (que inclui o tratamento de forma igual entre todos os caloiros -- porque nenhum deles é superior ao outro) e o abuso de uma pseudo-autoridade que leva a que determinados veteranos consigam libertar as suas frustrações num bando de miúdos assustados. São exactamente estes idiotas que conseguem estragar uma prática que tinha tudo para ser algo bom.
Para além dos problemas que acontecem durante algumas praxes (o mais comum é a humilhação), a má fama que esta tradição ganhou consegue atingir os que ainda nem entraram "na Universidade", levando a que algumas pessoas tenham pavor de entrar no mundo académico porque têm medo de sofrer as barbaridades de que tanto se fala.
Se me perguntarem "és contra as praxes?", eu digo não, mas defendo que o modelo actual de tolerância face a algumas barbaridades deve ser abolido. Eu sei, eu sei, nos últimos anos o controlo aumentou e mais gente foi responsabilizada pelos seus actos. Mas não é suficiente. Prova disso é que nalgumas Universidades, Faculdades ou cursos, continuam a surgir casos de praxes organizadas (sublinho a parte do "organizadas") que contêm todo o tipo de absurdos. E isso é intolerável.
Assim, reformulando a resposta à pergunta que levantei no parágrafo anterior, eu digo SIM às praxes que integram os caloiros e às praxes que aumentam o convívio e espírito de entreajuda entre os universitários. Eu digo NÃO às práticas absurdas e animalescas de alguns veteranos que tentam legitimá-las através da palavra mágica "tradição".
Não se esqueçam que não é por ser tradição que determinada prática deixa de ser incrivelmente estúpida.